segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
ALMOÇO DE NATAL 2011 DOS PRIMATAS DA AJUDA
domingo, 18 de dezembro de 2011
ALMOÇO DE NATAL 2011 DOS PRIMATAS DA AJUDA
No almoço de Natal dos Primatas deste ano, tivemos a honra da presença do grande futebolista Artur (O Ruço), que acabou a carreira futebolistica abruptamente aos 29 anos na sequência de um AVC. Perdeu-se o desportista, mas ficou o homem, que como tivemos ocasião de ouvir pelo próprio, ainda nos alegra a todos com as suas histórias passadas.
Também para todos saberem o que se passou efectivamente, sobre a mudança do Benfica para o Sporting, fica aqui uma entrevista dada pelo próprio Artur, que apesar de ser um benfiquista de alma e coração, soube profissionalmente honrar a camisola do adversário.
Foi realizado um jogo de homenagem em 1981 entre o Benfica e o Sporting.
Eis aqui a entrevista;
| Artur: «Nunca pensei jogar no Sporting, mas o Benfica mandou-me embora» |
| Sábado, 18 Setembro 2010 18:19 |
A impetuosidade era a sua imagem de marca. Constantemente insatisfeito, através de gestos e atitudes, o ruço tem uma carreira ímpar no futebol português. Foi o lateral-direito da selecção durante a década 70 (Maio-72 a Novembro-79), totalizando 35 jogos, e de três clubes com grande tradição: Académica, Benfica e Sporting. A sua história, porém, não é como outras. Campeão nacional de juniores no Benfica, com Humberto Coelho, Toni, Vítor Martins e Nené, quis tirar o curso de Medicina, o que o obrigou a uma transferência para a Académica. Lá passou três boas épocas até perceber que era impossível conciliar estudos e futebol. Optou pela bola e voltou ao Benfica, em 1971. Seis anos depois, o primeiro grande susto, vítima de uma pleurisia. Afastado dos relvados e com o Benfica em digressão, não lhe renovaram o contrato. Sensível a este episódio, João Rocha estendeu-lhe a mão e Artur passou para o outro lado da Segunda Circular. Em 1980, no início da terceira época pelos leões (24 de Setembro), sofreu um acidente cardiovascular que lhe acabou com a carreira desportiva. No jogo de homenagem entre Benfica e Sporting, em 1981, Toni definiu-o da melhor forma: "No Sporting, era o único jogador à Benfica." Vamos começar a entrevista pelo fim da carreira, quando Toni o definiu como o único jogador à Benfica no Sporting. Hoje o que lhe diz isso? É uma expressão feliz do Toni. Sempre gostei de a ouvir. Assenta-me bem. Mas é uma expressão feliz porquê? Sou sócio do Benfica desde que nasci. E como foi parar ao Sporting? Nunca pensei jogar naquela equipa [Sporting], mas o Benfica mandou-me embora. Na prática, foi assim. Durante seis anos [de 1971 a 1977] estive sempre a ganhar o mesmo: 34 contos por mês. Em 1974, o presidente Borges Coutinho prometeu-me 500 contos e uma festa de homenagem quando renovasse o contrato, em 1977. Ora em 1977 fomos campeões, com o Mortimore, e o Romão Martins [director-desportivo do Benfica] ofereceu-me uma festa de homenagem de 200 contos e 27 contos de ordenado. Onde é que já se viu passar de 34 para 28 contos? Como é possível baixar de ordenado? Ameacei com a saída e disseram-me que, como eu era benfiquista, nunca sairia. Mas estavam a empurrar-me para fora do meu clube e saí. O João Rocha apanhou-me descontente e fui parar ao outro lado da Segunda Circular. E como foi essa mudança? Péssima, horrível. No início ainda fazia a minha vida normal. Mas não dava. Entrava num restaurante, num bar, num café, numa loja qualquer, até a andar na rua, e ouvia as pessoas a falarem de mim à minha volta. Ouvia muitas coisas, a mais suave era "traidor". A partir de certo momento, a minha vida começou a ser casa, treino, casa, jogo, casa. E o primeiro jogo com o Sporting? Adivinha? Com o Benfica! Na Luz? Não, em Alvalade. Primeira jornada do campeonato nacional. Na altura a equipa visitante entrava primeiro em campo, depois os árbitros e no fim a equipa da casa. Quando entrei e vi aquelas camisolas vermelhas do outro lado fiquei confuso. E triste. Como lateral-direito, quem é que marcou nesse jogo? O Chalana. Um tipo cinco estrelas. E um jogador admirável. No Benfica só tinha que o defrontar nos treinos. No Sporting, estava ali á minha frente. Quando o jogo começou voltei-me para ele e disse-lhe "não te ponhas para aí com coisas, que eu perco a cabeça e levas uma paulada", e ele responde-me "ó ruço, não há problema, estamos em família". Logo na primeira jogada passou-me a bola entre as pernas. Era a pior coisa que me podiam fazer. Depois [aos 8''] há um canto e... golo do Benfica, foi o Chalana de cabeça. Voltei-me para ele e disse-lhe "agora estás tramado" e o Chalana só me dizia "ó ruço, foi sem querer, a bola bateu--me na cabeça..." E por acaso tinha sido. Mas o Fraguito empatou [aos 20''] e ninguém perdeu. E daí para a frente? Nessa primeira época ganhámos a Taça de Portugal ao FC Porto. No campeonato ficámos em terceiro. Quando cheguei ao Sporting o treinador era um brasileiro que apareceu por aí e saiu logo em Dezembro. Chamava-se Paulo Emílio. Certo dia [20 de Novembro de 1977], fomos jogar ao Norte, estava o Riopele [de Pousada de Saramagos, no concelho de Famalicão] na 1.a divisão, e ele, o treinador, quis levar a mulher a conhecer o Minho. Na manhã do jogo o treinador não apareceu. Almoçámos e nada do treinador. Fomos para o jogo e ele continua desaparecido em combate. O Manuel Marques, chefe do Departamento de Futebol, lá me disse para orientar a equipa. Ao intervalo estávamos a perder 2-1. Fiz uma substituição [entrada de Baltasar e saída de Cerdeira] e ganhámos 3-2. No final do jogo apareceu o treinador com uma conversa do género: "Não há problema, eu sabia que vocês ganhavam." Fez uma brincadeira igual na Madeira [4-0 ao Marítimo, na semana seguinte, a 27 de Novembro]. Acabou por sair no Natal. Mas foi campeão nacional em 1980, certo? Sim, foi um campeonato tramado, resolvido por um autogolo do Manaca, em Guimarães. Falou-se muito desse golo porque tinha sido do Sporting, mas foi um autogolo. Meteu mal a cabeça à bola, pronto. Se não fosse ele, estava lá o Manuel Fernandes atrás dele para marcar. Nessa época, Sporting e FC Porto andaram pegados o tempo todo e aquilo era finais todas as semanas. Dessa vez o Benfica andava longe do poder. A três jornadas do fim fomos jogar às Antas e empatámos 1-1, mas o António Garrido fez das suas. Marcou um penálti inexistente. Disse-lhe logo que tinha arranjado um emprego para toda a vida. Depois mandou repetir esse penálti duas vezes até a bola entrar [Romeu só festejou na recarga, depois de Vaz ter defendido o remate de Oliveira]. Foi um abuso. Palavra de benfiquista. Sabes o que eu fazia sempre que chegava o intervalo do Sporting? Perguntava ao roupeiro: "Olha lá, pá, como é que está o Benfica?" Ninguém no Sporting me levava a mal. Nem na Académica [1969-71]. Eu sou do Benfica, e eles sabiam. Na altura a maioria dos estádios assinalava os resultados no placard manual, não era? Sim, pela ordem de jogos no totobola. Também por aí era fácil ver o resultado do Benfica, pois os jogos eram quase todos à mesma hora. Só havia um jogo ao sábado à noite. O resto era tudo ao domingo à tarde. Portanto, campeão pelo Sporting em 1980. Foi o sexto campeonato que ganhou. Os outros cinco foram pelo Benfica. Algum a destacar? O de 1972-73, sem derrotas: 28 vitórias e dois empates. Dois empates? Tchi... No primeiro, à 24.a jornada, com o FC Porto, nas Antas (2-2), eles marcaram um golo aos 86 minutos, num remate sei lá de onde, e o gato [José Henrique, guarda-redes do Benfica] devia estar a pensar na namorada e não nos deram tempo de dar a volta. Depois 0-0 na Tapadinha, com o Atlético [Artur nem jogou], na penúltima jornada. Temos de ajudar os mais necessitados [mas nem assim o Atlético se safou e desceu de divisão]. Eram os tempos do Jimmy Hagan, com fama de treinador implacável. É mito ou verdade? O gajo era tramado. Mas bom treinador. Naquele tempo os jogadores só ganhavam o prémio de jogo na totalidade se jogassem. Ora podíamos estar a ganhar por 6-0, com duas substituições por fazer, o pessoal no banco a pedir "Ó mister, dá para entrar?", e ele nada. No balneário nem ai nem ui. E era terrível nos treinos. Já com a idade que tinha, fazia todos os exercícios que nos mandava fazer. Fartava-se de puxar por nós, a correr à volta do relvado. E há alguma história de Benfica-Sporting como jogador do Benfica? Muitas, mas há uma em especial: em Março de 1974, no último dérbi pré-revolucionário. Ganhámos 5-3 em Alvalade, mas nem imaginas a arbitragem do Raul Nazaré nesse dia! Marcou-nos dois penáltis. Ao primeiro, a castigar falta inexistente minha sobre o Dé, que se atirou para dentro da área, disse-lhe logo: não faças isso, Raúl, que nós vamos lá abaixo e marcamos dois golos. Dito e feito: de 2-3 para 2-5 foi num piscar de olhos. Ok... Pera aí que há outra história engraçada, em 1974-75, na Luz. Apostei com o Yazalde um lanche: se eu ganhasse, ele pagava. Se ele empatasse, eu pagava. E se o Sporting ganhasse? Como? O Sporting ganhar na Luz? Empatar já era uma coisa do outro mundo. E o que aconteceu? Foi 1-1. Afinal... Foi um jogo esquisito. O Móia, que nunca marcou um golo na vida, deu-nos avanço e foi o Yazalde quem empatou. No final, eu e o Chirola [alcunha de Yazalde] saímos juntos do estádio e levei-o a uma marisqueira em Benfica. Pelo caminho, uma série de adeptos: "Ó Artur, mas estás com esse porquê?'' E eu respondia: ''O jogo já acabou. Agora somos amigos." É cada um por si lá dentro e todos amigos cá fora? Por aí, sim. É a coisa mais natural. Mas lá dentro fervia, não? É pá... Contam-me que você era implacável. Ok, ou passava a bola ou o jogador, nunca os dois. Mas nunca aleijei ninguém. O maior problema eram os árbitros. Eu fazia tackles, roubava a bola e o árbitro não só assinalava falta defensiva como ainda me mostrava o cartão amarelo. E eu dizia-lhes: "Porra, mas tu não vês a final da Taça de Inglaterra?" Era dos poucos jogos que dava na televisão, a par da final da Taça dos Campeões. Mas a Taça de Inglaterra era um espectáculo e um encanto que só visto. Os mais fracos da 3.a divisão ganhavam aos da 1.a e o jogo era sempre a correr, com muitos tackles, nunca punidos pelo árbitro. Só em Portugal é aquilo era falta... |
sábado, 17 de dezembro de 2011
ALMOÇO DE NATAL 2011 DOS PRIMATAS DA AJUDA
Os Primatas da Ajuda realizaram dia 17/12/2011 mais um almoço de natal, desta feita no Restaurante A Gina no Parque Mayer. Neste dia morria Cesária Êvora aos 70 anos, aqui fica o tributo dos Primatas.
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
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